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A charanga da LILI vol.7 nº.1 (2022)
ISSN 2764-166X

O comércio como profissão!

O Fabinho, filho da Eufrásia, terminou o curso propedêutico depois de matricular-se numa escola de ensino comercial, porque havia decidido que não seguiria a carreira do pai.

- Imagina Lorica, o Fabinho até hoje está nesse impasse. Você sabe como são essas coisas, em ‘casa de ferreiro o espeto é de pau’, ele não quer seguir a carreira do pai, um grande ‘guarda livros’. Esse era o discurso de Eufrásia com a sua vizinha de porta.

Em contrapartida Lorica era só elogios para o Acácio, o mais novo da prole.

- Ah! Já o Acácio vai estudar no Pedro II, no curso jurídico. Ele está bastante empolgado com as disciplinas que disseram que terá. Ele me disse que vai ter latim, noções de economia, lógica e até higiene e estatística. Estou orgulhosíssima do meu filho.

Fabinho gostava de jogar futebol na rua com a meninada. Ele era um craque, diziam os colegas. Mas a reforma educacional de 1932, reformulada pelos decretos n° 19.890, de 18 de abril de 1931, e n° 21.241, de 14 de abril de 1932, não fomentava a possibilidade de construção de uma matriz curricular com foco em educação física. Ah! Claro, para alguns pode não ser a mesma coisa, mas você há de convir que são caminhos transversais. Já pensou um jogador de futebol com curso superior? Naquela época?!!!

Pensamentos à parte, o Fabinho tentou fugir da temida datilografia, que à época exigia do aluno aptidão para a escrita correta e ágil, sem olhar para o teclado. Acontece que em todos os cursos comerciais a máquina datilográfica estava lá, aguardando os dedos nervosos do Fabinho... e aí:

- Mãe, eu não vou estudar! Eu estava pensando...

- Como assim? E você lá pensa?!!! Vai estudar nem que a ‘vaca tussa’! Não tem conversa. Você dá o seu jeito, porque escolheu o comercial considerando o menor tempo de estudo, então...

- Mas mãe...

No final das contas, o Fabinho se tornou um secretário meia-boca, tanto que com notas medianas no boletim, só conseguiu trabalho como atendente de balcão, na mesma loja em que o pai trabalhava como guarda-livros. Aos finais de semana, batia uma bola com os colegas de trabalho e casado, exigia da ‘patroa’, que foi sua primeira namorada, o compromisso de fazer com que seu único filho passasse na admissão ao curso pré-vocacional e quem sabe, conseguisse um bom emprego, qualquer que fosse.

Ah! Mas também, a turma do Getúlio conduziu o país para a profissionalização comercial, bem diferente da indústria. Está certo que também são caminhos transversais...mas... é a velha história... o difícil é encontrar pessoas capazes de compreender essa analogia e com poder para aplicá-la.

Patiluc