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A charanga da LILI vol.7 nº.2 (2022)
ISSN 2764-166X

 Trabalhador sim, pelego não!

Israel veio para a capital em meados dos anos de 1930, justo no ano em que Vargas criou o Ministério da Educação e Saúde Pública. Carregava na maletinha que trazia, cuidadosamente arrumada por Dona Alzira, sua mãe, duas mudas de roupas e muita vontade de trabalhar, não queria voltar para a lavoura. Consigo também trazia a promessa de ajudar a mãe com uma parcela do dinheirinho que arranjasse, fruto do seu trabalho. 

Conseguiu um emprego numa fábrica de tecido. Durante um bom tempo dividia um quarto de pensão até que num desses cabarés frequentados pelos empregados da fábrica, Israel conheceu Zalfha. Beijos aqui, abraços acolá e pronto, a responsabilidade paterna bateu à porta de Israel. Assim, às pressas se viu casado na Paróquia São José, o santo padroeiro dos trabalhadores, com aquela que seria a mãe de seus filhos.

Aos poucos Israel tornou-se líder trabalhista e se arranjou também com um cargo de confiança no sindicato dos operários da tecelagem da cidade e, com a família constituída conseguiu, depois de algum tempo de trabalho na mesma fábrica, alugar uma casa na vila operária. Revoltado com as condições que os empregados se submetiam na fábrica, Israel empunhava a bandeira dos direitos trabalhistas, mesmo sem entendê-los. Encarnou-se como confesso seguidor de Getúlio e foi beneficiário do salário mínimo, decretado em 1939. Orgulhava-se e repetia o discurso de Vargas:

“todo trabalhador brasileiro, sem distinção de sexo, tem direito a um salário mínimo mensal que deve satisfazer, às suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte”.

Uma pena que a decisão do governo não abarcava os trabalhadores rurais, porque Getúlio corria atrás de um país industrializado, era a justificativa de Israel quando seus irmãos, ainda na roça, discutiam com ele sobre os direitos da terra.

Quanto aos estudos... Bem,  dos cinco filhos daquela união matrimonial, só Jussara insistia que queria ser professora. Os outros seguiram o caminho de Israel, operários na mesma fábrica de tecelagem que abrigou o pai e outros tantos que chegavam do interior, sem destino.

Em 1954 quando Getúlio deu seu ultimatum, Israel sentiu-se traído, literalmente abandonado pelo conhecido por todos como sendo o ‘pai dos pobres’. Perdera o árbitro, de punhos de aço, nas negociações entre patrão e empregado.

Patiluc