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A charanga da LILI vol.8 nº.1 (2022)
ISSN 2764-166X

 

A missão feminina de educar!

 

No centenário do Colégio Pedro II, Gustavo Capanema então Ministro da Educação e Saúde Público no governo Vargas, proferiu o seguinte discurso:

“...A educação a ser dada aos dias há de, porém, diferir, na medida em que diferem os destinos, que a Providência lhes deu. Assim, se o homem deve ser preparado, com têmpera militar, para os negócios e as lutas, a educação feminina terá outra finalidade, que é o preparo para a vida do lar. A família, constituída pelo casamento indissolúvel, é a base de nossa organização social e está, por isto, colocada sob a proteção especial do Estado. Ora, é a mulher que funda e conserva a família, como é também por suas mãos que a família se destrói. Ao Estado, pois, compete, pela educação que lhe ministra, prepará-la convenientemente para a sua grave missão. E é assim que a educação feminina, pela importância de que se reveste, passa a exigir dos poderes públicos cuidados e medidas especiais.” (FGV, 1937, p. 39).

Por conta disso, era de responsabilidade da equipe docente, notadamente feminina, ensinar bons modos aos seus alunos. Conteúdos focados nas práticas para o lar, nos cuidados higiênicos e com a saúde em geral e até envolvendo como cuidar de hortaliças, para justificar a proposta ‘uma horta em sua casa’, foram temas tratados em sala de aula.

Às quartas-feiras, no pátio das escolas, antes de iniciarem as aulas, tomavam distância e enfileiravam-se, ali no pátio da escola. Silenciosamente, aguardavam o sinal da professora para entoarem, a uma só voz, o Hino Nacional. Depois faziam uma oração, ensinada pela professora de ensino religioso e dirigiam para as salas de aula.

No dia do piolho, a professora recebia os alunos no umbral da porta da sala de aula e fazia uma rigorosa inspeção no couro cabelo de cada uma das crianças que compunha a sua turma. Àqueles com um sinal de pediculose na cabeça, seguiam com um bilhetinho no caderno:

“Querida mamãe.
Percebemos no seu filho um amigo que tem incomodado bastante: o piolho. Por favor, inspecione a cabecinha do seu filho e mantenha esse amigo fora do alcance da sua criança e, por consequência, da Escola.”

No dia seguinte, era o cheiro de vinagre que separava o joio do trigo, enquanto se entoavam o Hino Nacional:

"Ouviram do Ipiranga, às margens plácidas
De um povo heroico, o brado retumbante
E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos
Brilhou no céu da pátria nesse instante

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
Em teu seio, ó liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte..."

 E ái de quem errasse a letra ou desafinasse!!! Ái, ái, ái...

Patiluc