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A charanga da LILI vol.8 nº.2 (2022)
ISSN 2764-166X

 

Um trenzinho do caipira cantando pela serra...a voar...

 

Depois de um período de relativo sucesso em Paris, onde teve o apoio do mecenas Carlos Guinle, o músico Heitor chegou ao Brasil e amargou um duro golpe: a falta de dinheiro. Ainda mantendo alguns contatos na alta sociedade paulistana, ele conseguiu realizar pequenos concertos naquela metrópole e almejava arrecadar fundos para retornar à Europa.

Parecia ‘coisa de Deus’ aquela revolução político-administrativa pela qual o Brasil passava! Foi então que aquele rapaz elegante, culto e um musicista brilhante, enxergou a possibilidade de apresentar ao então interventor do Estado de São Paulo, a possibilidade de levar a arte para todos os rincões do país. Contando assim, parece ao leitor que tenha sido uma caminhada pouco árida, porém, com diplomacia Heitor conseguiu o seu intento. Num movimento denominado ‘exortação cívica de maio de 1931’, Heitor, mais conhecido como Villa-Lobos e um grupo de virtuosos visitaram cinquenta e quatro cidades no interior de São Paulo, levando a música erudita ao povo simples. Foi magistral, segundo Heitor, ver uma multidão ouvir e cantar Carlos Gomes. Mas, tão logo tenha finalizado o último concerto musical, Heitor viu o desemprego bater a sua porta e, ao retornar a sua cidade natal, Rio de janeiro, decidiu enviar uma carta para Getúlio, o Presidente do Brasil, e entre várias informações, ele dizia:

"Peço permissão para lembrar a Vossa Excelência que é incontestavelmente a música, como linguagem universal, que melhor poderá fazer a mais eficaz propaganda do Brasil no estrangeiro, sobretudo se for lançada por elementos genuinamente brasileiros, porque desta forma ficará gravada a personalidade nacional, processo este que melhor define uma raça, mesmo que esta seja mista e não tenha tido uma velha tradição.
E então, ou Vossa Excelência será além de grande e benemérito Homem Público e estadista arguto, o amigo leal das artes e dos artistas da nossa Pátria, colaborador de um dos maiores monumentos artísticos que o mundo produziu e que a História Universal das Artes inscreverá como um dos seus capítulos mais interessantes, ou somente o grande e enérgico Chefe do Governo Provisório da República Brasileira, o invicto patriota que sacudiu o jugo atroz das rotinas políticas passadas que pesavam sobre o povo brasileiro, cujos filhos são à Vossa Excelência reconhecidos e que não cansam de exaltar Vossa Excelência nesta ascensão. [...]”

Esse, denominado apelo, foi publicado no jornal de maior circulação no país à época, o Jornal do Brasil e diante das circunstâncias chamou atenção imediata, tanto que Anísio Teixeira, então Secretário da Educação, após a leitura dessa publicação e por determinação de Vargas, convidou Heitor para montar um programa de ensino do canto orfeônico nas escolas.

Articulado e estratégico, Villa-Lobos não perdeu tempo e conseguiu rapidamente ser alçado a superintendente de educação musical e artística, contando com 94 funcionários.

Tempo depois, Capanema congregou ao seu ministério dentre Heitor outros tantos notáveis como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Mário de Andrade, Lúcio Costa entre outros.

Foi assim, como um 'trenzinho do caipira', que o canto orfeônico se tornou um projeto educacional voltado para música, porém, com foco na divulgação de temas folclóricos brasileiros. Se você clicar aqui poderá ouvir essa preciosidade, lindamente interpretada pela Partimpim.

“Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar

Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra
Vai pelo ar

Cantando pelas serras do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar no ar no ar no ar no ar

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar

Correndo vai pela terra
Vai pela serra
Vai pelo ar

Cantando pelas serras do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar, no ar”

Patiluc