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A charanga da LILI vol.4 nº.1 (2022)
ISSN 2764-166X


Pirilam-pimpim.


Tra-la-la-la-la...tra-la-la....tra-la-la....Cantarolando alto, Emília atravessou a sala saltitante. Era noite de lua cheia e Dona Benta contava histórias para Pedrinho e Narizinho, como fazia regularmente nas férias escolares deles, enquanto isso Anastácia arrumava a mesa para um delicioso ajantarado. O cantarolar de Emília realmente conseguiu tirar a concentração de Narizinho.

- Emília!!! Chamou Narizinho, com uma voz cálida. Naquele momento a história de Dona Benta soava distante aos ouvidos de Narizinho. Era a curiosidade que tomava conta da mente daquela menina, de nariz arrebitado e ávida por conhecimento, impedindo-a de prestar atenção no que Dona Benta contava.

Dona Benta já sabia das artimanhas de Emília e continuou com a história, mesmo consciente de que somente Pedrinho a ouvia.

- O que foi! Respondeu Emília, assim, fingindo-se de inocente.

- O que você está aprontando? Dizia Narizinho baixinho para que Pedrinho e Dona Benta não a ouvisse.

- Como assim? Eu, euzinha, aprontando... Eu lá apronto alguma coisa?  Eu faço acontecer. Tudo dito num sussurrar de chamar a atenção.

- Sei disso! Respondeu Narizinho.

- Quer saber o que eu estou planejando? Perguntou Emília para Narizinho.

Emília era assim, quando se sentia abandonada por Narizinho, dava um jeito de fazer com que as atenções se voltassem para ela. Êta bonequinha esperta e sapeca.

- Olha, se for algo que faça com que eu fique de castigo, logo agora nas férias, eu prometo que deixarei você...

Imagina se Emília deixou Narizinho finalizar a frase?... Nem pensar!

- Hum... você vai fazer o quê comigo? Perguntou Emília com uma das mãos na cintura e a outra com o dedo a riste para o narizinho de Lúcia e prosseguiu: Vai me deixar... vejamos... dependurada no varal de roupas da Anastácia? Ou vai me colocar dentro do guarda-roupas, como fez nas férias passadas? Ou vai...

- Você está muito atrevida. Retrucou Lúcia, o verdadeiro nome de Narizinho. Eu vou guardar você numa caixa de sapatos por um bom tempo!

- Caixa de sapatos? Que história é essa? Você não consegue viver sem mim!!! E gargalhou com descaso, bem aos moldes ‘emilianos’. No fundo, bem lá no fundinho do seu coração, você quer saber o que eu planejo, não é mesmo? Pois eu vou lhe contar...

- Então vamos lá, sua boneca valente! Diga já o que está arquitetando.

Narizinho nem notara que Pedrinho já fazia parte daquela escuta.

- Usei o pirlimpimpim para descobrir o segredo dos vagalumes.

- Com assim Emília, perguntou Pedrinho.

- Com o pó de pirlimpimpim, ora bolas! Quando ele for usado para capturar pirilampos, como diz o Visconde, se chamará 'pirilam-pimpim'.

- Aposto que você se queimou ao pegá-los... disse Pedrinho.

- E aí? Você se queimou? Dói? Eles dão choque? Perguntou Narizinho curiosa.

- Qual nada! Respondeu Emília numa risada só.  Eles são até bem friozinhos.

- Ora, mas como você me explica sobre as luzes que eles refletem. Eles usam algum tipo de bateria? A indagação de Pedrinho era pertinente, afinal ele queria saber o funcionamento dos vagalumes.

- Ah! O que eu entendi, pela explicação do Visconde, é que eles, os vagalumes, têm no corpo um negócio, sei lá o quê, que perde energia e produz luz. Interessante, não acha? 

- Substância, Emília. Gritou do canto da sala o Visconde de Sabugosa. É ela que provoca a reação química, conhecida como oxidação biológica. Os vagalumes, ou pirilampos emitem luz própria para o acasalamento.

- Lá vem você com esse palavrório difícil. Interrompeu Emília nervosa com a atitude do Visconde, ao ignorá-la na sua descoberta magnífica.

- Posso trazê-los aqui? As dezenas de vagalumes que capturei no ribeirão estão todos piscando num pote de vidro que a Anastácia me arranjou. Eles enfeitarão a nossa árvore de natal. A Dona Benta não disse que as luzes da árvore se queimaram? Pois é! Como sempre, eu já solucionei o problema.

- Emília!!!???!!! Dona Benta chamou a atenção da boneca e ordenou às crianças, hora do jantar!!! Todos à mesa!!!

 

Patiluc