Logo Parimpar
Instagram Parimpar
youtube-Parimpar
Linkedin-Parimpar
Facebook-Parimpar
Editor HTML Online
   

O giz da educação vol.8 nº. 3 (2022)
ISSN 2764-0477

 

Com uma boa história, se faz educação.

 

Era uma vez uma jovem de nome Serafina. Filha de um trabalhador da roça, ela ajudava a mãe, Dona Romena, nos afazeres de casa e, quando podia fazia o mesmo, apoiando o pai na colheita do milho.

Um dia o Sinhozinho, dono daquelas terras, sentiu fortes dores no peito e Leôncio, pai de Serafina, foi chamado às pressas para levá-lo ao médico. Aquele mal subido não podia ser outra coisa, dizia Dona Clarissa, esposa do Sinhozinho.

- Romena, o que farei se meu marido não mais voltar para casa? E se não tiver condições de tocar a fazenda?...

Serafina que acompanhava a mãe respondia de pronto:

- Fica tranquila Dona Clarissa, Deus proverá! No final tudo dará certo, basta ter paciência e resiliência. O tempo do universo é diferente do nosso...

Isso acalentava Dona Clarissa. Porém, Romena e Serafina se desdobravam nos afazeres daquela imensidão de casa: cinco quartos, três salas, seis banheiros, duas varandas, duas cozinhas... Mesmo sofrendo as dores da possível perda do amado esposo, Dona Clarissa não abandonava as exigências de uma casa limpa, comida farta e servida irremediavelmente, nos horários por ela determinados, etc, etc.

Dias depois, chega à fazenda um moço garboso, cheio de vida, ladeado por uma consorte, linda e bela, com uma pele de uma brancura estonteante.

- A benção mãe!

Era Joílson, o filho único de Sinhozinho que veio para prestar apoio à Dona Clarissa.

- Filho!!! Que bom que veio. Luana minha filha, que prazer tê-la no nosso convívio. Dizia Dona Clarissa para a esposa de Joílson. Anda Serafina, vai arrumar o quarto dos meus queridos. Romena, já para a cozinha. Providencie um ajantarado para os meninos, porque eles devem estar famintos.

- Mas Dona Clarissa?...

E antes que Romena esboçasse mais alguma coisa, a resposta veio certeira:

- Sem mais delongas Romena. Rápido, rápido...

Com a chegada do casal, a rotina que já estava pesada, tornou-se insuportável. Luana era mais exigente que a sogra e Joílson, um folgado que não via a hora de se tornar o dono daquela gleba. Mas Romena e Serafina aprenderam com Leôncio a administrarem o tempo e ainda que assoberbadas nas tarefas, conseguiam gerir bem as atividades que desempenhavam no dia a dia. Uma pena que Leôncio não fazia o mesmo com as finanças e por mais que tentasse, sempre estava pendente com a mercearia da fazenda. Por conta disso, mantinha a sua família presa àquele suplício.

Mas, como tudo passa, ainda que demore, o Sinhozinho recebeu alta médica e retornou para casa. Ao chegar em casa, encontrou Joílson e Luana organizando um festejo. Surpreendidos, ambos foram unânimes em dizer que já aguardavam a melhora do Sinhozinho e então, anteviam-se para abraçá-lo em grande estilo.

Esperto que nem ele só, Sinhozinho chamou Leôncio e determinou que doravante ele seria o gerente daquele torrão, porque sabia que ele cuidaria de tudo como se dele as terras fossem.

- Aceito de bom grado o que o Senhor me oferece. Mas quero pedir-lhe que doe, de papel passado, aquela naca de terra onde eu, minha amada esposa e minha querida filha vivemos. Penso que não seja pedir demais...

- Seja feita a sua vontade! E quanto a vocês Joílson e Luana, se aqui ficarem terão de trabalhar e, quem sabe aprenderão a dar valor às conquistas cotidianas. Do contrário, não receberão um tostão sequer como mesada, mesmo que sua mãe, interceda. Liberdade, meus filhos, se conquista em comunhão.

Patiluc

“Esta é uma obra de ficção. O uso de metáforas foi a maneira encontrada para contar as vivências da autora, ao longo dos seus mais de 25 anos na área da educação. Atualmente, ela atua como Empreendedora Cultural e mantém a crença de que educação também é sinônimo de cultura.”