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O giz da educação vol.3 nº.3 (2021)
ISSN 2764-0477

Experiência e currículo, quanto valem?


O Lineu, um rapaz bem apessoado, com seus 23 anos de idade, filho de uma família próspera no interior do Estado, finalizou o curso de Psicologia, numa das melhores universidades da Europa e ainda teve tempo de se especializar em recursos humanos, especificamente como Coach. Depois de quase cinco anos fora do país, estava pronto para retornar.


Menino de 'sorte', Lineu estagiou nas melhores empresas do mundo, mesmo tendo uma avaliação mediana, por todos os seus mentores. Sua mãe se enchia de satisfação enquanto que seu pai... nem tanto! Seu pai era um rico empresário no ramo do agronegócio e não admitia interferências na administração, muito menos na metodologia de plantação e colheita dos grãos e na produção de vinhos.

 

Lineu voltou para o Brasil, de mala e cuia. Trouxe nas bagagens o filho de um ano e meio e a esposa, grávida de dois meses. 


Homem de visão, ainda que de pouco estudo, o pai de Lineu exigiu-lhe uma segunda graduação em agronomia e mais, que ele se especializasse em administração. 


- Estou envelhecendo e você, meu filho único, precisa entender do ramo de negócios da sua família. Eu quintupliquei os ativos de seu avô. Quando ele e sua avó vieram para o Brasil, depois da segunda guerra mundial, não tinham o que comer. Contra a minha vontade, você até constituiu família por onde andava, portanto, não quero que repliquemos a máxima “pai rico, filho nobre, neto pobre”.


- Mas pai, eu estudei nas melhores escolas... 


- Sem comentários Lineu. Você já perdeu muito tempo satisfazendo os seus caprichos, agora é a hora da verdade! Você vai para a Cornell, em Nova Iorque, nos Estados Unidos e retornará com o diploma de MBA, da Business School, em Harvard. E veja bem, essas são as melhores escolas do mundo então, aproveite a chance. Depositarei, como fiz todos esses anos, uma rica mesada para você e sua família.


O tempo foi curto para aproveitarem a presença do netinho, e num piscar de olhos, Lineu já estava na ponte aérea, novamente de mala e cuia. Quatro anos depois, ele retorna ao Brasil, cheio de ideias e com uma nova consorte. Socialite, a mãe de Lineu organizou uma recepção magnífica para o filho. Não foi diferente nas empresas. O pai de Lineu, não se cabia de tanta satisfação e mais que depressa, aproveitando-se do entusiasmo daquele momento, marcou dia e hora para a posse de Lineu como Diretor de Negócios.


Ato contínuo, os conflitos se fizeram insuperáveis. Lineu queria uma transformação em quase todos os processos de trabalho. Inflexível e arrogante ao extremo, Lineu bateu de frente com funcionários de confiança do pai. Meteu o bedelho até nas fazendas e nos métodos de plantio.


- Quanto investimento e demos um tiro no pé! Gritava aos cantos o pai de Lineu. O que eu faço com esse meu filho! O que eu faço??? Vou mandá-lo para a China. Ele será o nosso diretor operacional do leste, quem sabe lá o estrago seja menor. Quando ele vai entender que no nível em que nos encontramos, as mudanças devem ser feitas paulatinamente, sem pressa, quando... Ou será que ele quer colocar tudo a perder???


Como última tentativa de trazer Lineu à realidade, após anos de serviços prestados como assistente da presidência, numa estratégia de gestão, Helena foi remanejada para secretariar Lineu. Ela era uma mulher elegante, serena e de postura enérgica, além de um currículo invejável. Evidente que as experiências que constituíam o portfólio de Helena eram nacionais e com foco específico no trabalho que ela tão bem desenvolveu por anos a fio, portanto, quem sabe ela conseguiria colocar o Lineu nos trilhos.


E assim se deu! A experiência de Helena aliada à competência na abordagem, conseguiu mostrar para Lineu a importância de se respeitar as estratégias e as alianças, principalmente no mundo dos negócios. Diplomacia não significa ausência de posicionamento, mas empatia. 


De certo que aquela máxima ‘em time que está vencendo não se deve mexer’, pode até funcionar nas empresas familiares e mais conservadoras, entretanto com o avanço tecnológico e a virtualização das conexões, é quase impossível àquelas que desejam se manter na liderança do mercado, ficarem inertes e desprovidas de jovens talentos. A competitividade necessita de raciocínio rápido, atitudes sustentáveis, modernas e destemidas, sem, contudo, perder a doçura, a capacidade de se relacionar, de estabelecer pontes entre o passado, o presente com vistas ao futuro. Essa é a grande jogada, conviver com o passado e o presente em harmonia.


Patiluc


“Esta é uma obra de ficção. O uso das metáforas foi a maneira encontrada para contar as vivências da autora, ao longo dos seus mais de 25 anos na área da educação. Atualmente, ela atua como Empreendedora Cultural e mantém a crença de que educação também é sinônimo de cultura.