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O giz da educação vol.5 nº.1 (2022)
ISSN 2764-0477

Os astros não mentem jamais!!!

A astróloga Madame Zorah era bastante influente na região em que morava. Muito procurada, foi convidada para falar na grade da programação da Rádio Aurora, entre 7 e 8 horas da manhã. 

Inicialmente Madame fazia previsões zodiacais. Ela aprendeu com outro eminente astrólogo brasileiro a ser capaz de dar o recado em poucas palavras, sempre deixando aquela pontinha de dúvida, 'um quê' de necessário para manter o ouvinte assíduo nas suas vidências. 

Então para não perder tempo e manter-se na mídia Madame fazia os seus cálculos astrológicos semanais e emitia aqueles, dito por ela mesma, pressentimentos, no conta-gotas do programa diário, transmitido exceto aos finais de semana, embrulhado no horóscopo matinal.

Um sucesso tremendo! Madame Zorah tornou-se líder de audiência. E assim ficou por um bom tempo, até que um dia ela teve um daqueles ‘insights’ que só os iluminados têm (palavras dela) e previu em rede regional que a educação sofreria uma transformação singular com um advento, um tanto quanto nebuloso, mas que infelizmente ela ainda não conseguia antevir.

- Como assim, Madame Zorah? Depois do seu pronunciamento os telefones da rádio não param de tocar.

- Mas meu filho, é o que eu vejo nos astros e os astros não mentem jamais. Respondeu Madame Zorah com aquele olhar penetrante de quem sabe o que diz.

Alguns dias se passaram até que Madame Zorah recebeu a informação de que seu programa além de diário , passaria a ser ao vivo, com duas horas de duração.

- Éh, Madame, a Senhora ‘cutucou a onça com a vara curta’, agora terá que responder aos nossos ouvintes, na lata. Programa ao vivo não é para qualquer um, viu? Esta é uma oportunidade única que estamos lhe oferecendo. Nós confiamos no seu trabalho. Essa foi a fala do diretor da rádio ao comunicar Madame Zorah sobre a nova programação.

- Posso negociar? Respondeu Madame, com um sorriso escondido no cantinho da boca, sempre pintada com um vermelho encarnado.

- O que a Senhora deseja?

- Simples meu filho, 70% de aumento do meu salário, com direito a 30% de participação junto aos patrocinadores da rádio.

- Mas Madame...

- É pegar ou largar meu filho. Dizia com a serenidade dos espíritos mais elevados.

Madame Zorah não ostentava, mas possuía um título de doutora em economia, obtido 'lá nos tempos do Imperador', numa renomada universidade do país e, como ela costumava falar, nunca utilizado, porque ela não quis seguir carreira como professora universitária. Uma atividade que dava pouco retorno financeiro e muita dor de cabeça.

O diretor coçou a cabeça e ficou de conversar com sua equipe, mas diante do desfecho, Madame Zorah já havia previsto que a resposta seria afirmativa.

Dias depois:

- Eu sou Madame Zorah e estou aqui, meus filhos, para orientá-los espiritual e oferecer-lhes as melhores previsões do zodíaco.  Bom dia, mas bom dia mesmo!!! 


Patiluc

“Esta é uma obra de ficção. O uso de metáforas foi a maneira encontrada para contar as vivências da autora, ao longo dos seus mais de 25 anos na área da educação. Atualmente, ela atua como Empreendedora Cultural e mantém a crença de que educação também é sinônimo de cultura.”