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Curtinhas vol.11 nº.3 (2022)
ISSN 2764-0280

 

Para sempre... mãe é tempo sem hora!

 

Segundo domingo de maio não tem chororô, dia das mães no Brasil. Sabia que foi Getúlio Vargas quem oficialmente instituiu essa data comemorativa há exatos 90 anos?

As mulheres daquela época lutaram e forçaram a barra para que as mães fossem homenageadas e, como Getúlio levantava a bandeira da importância da moral e de uma família constituída pela tríade, pai, mãe e filhos, não foi tarefa árdua para ele proclamar como data especial e festiva um dia todinho para que a rainha do lar fosse homenageada.

E aí, pedimos ao Drummond, que também foi funcionário do Ministério da Educação e Saúde, nos tempos de Vargas, o auxílio poético para declamar em verso e prosa, o que, como ele, acreditamos possa ser um presente, ainda que simbólico, às mães:

"Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho
."

Carlos Drummond de Andrade, Lição de Coisas: poesia. São Paulo: J. Olympio, 1965.

 

Patiluc