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MAIS QUE UMA EDITORA - um ecossistema de ideias e vozes

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Curtinhas vol.34 nº.1 (2025)
ISSN 2764-0280


A inocência do autismo



Há muito tempo, quando o autismo era desconhecido pela ciência, uma jovem guerreira deu a luz a uma criança linda e saudável.

Com o passar do tempo, a mãe daquela criança foi observando que o comportamento da criança era diferente das demais. Não que isso fosse um problema, porém a mãe observou que aquela criança inocente precisaria de mais atenção, pois era uma criança amorosa, dedicada, porém não via maldade em nada e em ninguém, o que causou preocupação.

As outras crianças quando se machucavam, iam correndo e chorando para contar a mãe, e assim, rapidamente a mãe já cuidava dos ferimentos.

Já a criança com autismo não reclamava de dor e agia naturalmente. O que não era comum. Com isso, os cuidados daquela mãe só aumentavam.

Ela começou a fazer alguns testes com a criança, pra ver como ela agiria.
Certo dia, a mãe deu um café bem doce pra criança tomar, ela tomou tudo, sem falar nada. No outro dia, a mãe deu café amargo e mais uma vez a criança tomou tudo, sem reclamar.

Então, a mãe percebeu que havia algo diferente com aquela criança. Com medo do preconceito, escondeu de todos e todas que seu filho era diferente, pois ela não sabia do que se tratava.

Tinha medo que as pessoas chamassem seu filho de doente mental. Ela começou a proteger seu filho de forma exagerada, não o deixando sair de casa, o que prejudicou muito, pois a criança só ficava no celular e não interagia com ninguém.

Mas essa não era a intenção daquela mãe. Ela só temia que alguém o fizesse mal, já que aquela criança especial não via maldade nas pessoas.

O tempo foi passando e a criança foi ficando cada vez mais isolada, até que veio a descoberta pela ciência.

Aquela mãe que não sabia mais o que fazer, levou a criança ao neuropediatra, que constatou o autismo e começou a orientar a mãe como ela deveria agir, mostrando que seu filho poderia viver tranquilamente, brincando, estudando e, no futuro, até se casar, o que deixou a mãe mais tranquila.

Desse dia em diante, a mãe levou o filho a escola e percebeu o quanto seu filho era inteligente.
Ele precisava de um pouco mais de atenção, mas sem exagero, para não prejudicar seu desenvolvimento.

Ela ficou muito feliz e não tratava seu filho como um problema, mas como alguém especial, que veio trazer ao mundo a inocência e a força do amor ao próximo, coisa que estava se perdendo muito.

Ela enxergou a luz e nunca mais escondeu seu filho da sociedade, pelo contrário, tinha muito orgulho do ser humano humilde, gentil e amoroso que seu filho era.

E todos os dias pedia a Deus para o guiar e colocar alguém especial no seu caminho, pra quando ele alcançasse a idade adulta, pudesse casar, ter filhos, construir uma linda e abençoada família.

Suas orações foram ouvidas e seu filho conheceu alguém especial...

Construíram uma linda família feliz e abençoada e foram felizes para sempre.



Idiane Crudzá -
Mulher indígena do povo Kariri-Xocó, originário de Alagoas.
Ela é a guardiã da tradição do povo Kariri-Xocó.