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Curtinhas vol.8 nº.2 (2022)
ISSN 2764-0280

Escola sem violência? Onde?!!!


Era uma vez uma escola chamada Liberdade. Lá naquela escola estudam muitas crianças. Crianças pequenas, pequeninas e crianças já mais grandinhas, aquelas conhecidas como adolescentes, como dizem as pessoas adultas.

O mais engraçado é que a escola de nome Liberdade fica num bairro triste, pintado com cores fortes, as cores do medo, numa cidade que teima em se transformar num lugar melhor para se viver. É uma escola diferente, mais parece um castelo, sabe?!!! 

Um castelo bem grande, e lá dentro tudo é diferente. As pessoas são educadas, é tudo tão certinho.... ah! Que às vezes chega a ser chato, bem chato!

Foi o que me disse o Tadeu. Ele é uma das crianças que ali estudam... Uma criança inteligente, mas tímida, muito tímida, moradora daquele bairro triste, violento, naquela cidade que insiste em ser diferente, um dia... quem sabe...

Quando cheguei naquela escola, chamada Liberdade, Tadeu foi o primeiro a me olhar, com aquele olhar de desconfiança, de não compreender o que alguém como eu poderia estar fazendo ali, se o problema era no bairro e não na escola. 

- Oi, tudo bem? 

- Tudo bem! Respondi.

Pela mão levou-me para conhecer todas as salas de aula, banheiros, pátios, salas de professores e a cantina.

Hummmm!!!! Um cheiro bom de café com leite quentinho, sabe, aquele do aconchego que nos aquece nas noites frias???? Ah!!!! Lembrei-me da minha infância....Mas Tadeu, implacável na sua timidez, como são todos os tímidos, acordara-me com uma pergunta:

- Aqui é a cantina!

Nada mais...

- Tô vendo, ou melhor, tô sentindo!!! Quantas pessoas lancham aqui por dia, você sabe?

Silêncio...

- Qual é o seu nome? Quantos anos você tem?

Mais silêncio...

Bom, em respeito àquela aparente boa vontade em me apresentar a escola conforme determinação da professora, não insisti com as perguntas, porque pressenti que viriam mais silêncios, então seguimos em frente e logo adiante vi uma sinalização, “Sala da Diretora”!

- Engraçado não é? Quase sempre são diretoras e não diretores, não acha?

Silêncio... uma ponta de sorriso começou a se esboçar no canto da boca.

Toca a sirene... hora do lanche!!!! Confusão, gritaria e Tadeu (até então não sabia o seu nome), baixou a cabeça e soltou minha mão. Foi então que ouvi:

- Tadeu, Tadeu! De novo matando aula né??? Seu tonto, dá bobeira não, ‘tâmo de olho em você!!! Tá andando com a titia, né????
Entendi que a titia era eu, mas Tadeu como num passe de mágica, desapareceu.

De toda a sorte, já havia feito um ‘tour’ pela escola, tudo muito rápido é claro, bem aos moldes do Tadeu, mas pude ver tudo. Como encontrava-me próxima à diretoria, aproveitei para conversar com a Diretora da Escola. Ela havia chamado a polícia para dar um susto, na turma do horror.

- Pois é, tem ocorrido muitos roubos na escola. Como a Senhora pode ver, estamos num bairro pobre, embora pareça que aqui dentro da escola seja tudo muito calmo, há muitos adolescentes violentos. Há professores que já não mais querem vir dar aulas. A escola funciona em três turnos. Mesmo de manhã e à tarde, há um grande medo do tráfico, dos adolescentes que vem armados para a escola... A Senhora conheceu toda a área da escola? Foi o Tadeu ...

- Sim, o Tadeu. Ele me mostrou toda a escola. Ele mora por aqui? A Senhora conhece a família dele? A escola está toda pichada, há carteiras quebradas e o portão, está sempre aberto à comunidade. É isso mesmo??? Que tipo de ação a escola faz junto à comunidade?

- O portão está sempre aberto porque não adianta trancá-lo. O muro está pichado porque pensamos, há algum tempo, em fazer uma ação junto à comunidade no sentido de trazer as crianças e os adolescentes para o espaço-escola. Um professor escreveu um projeto denominado “escola sem violência”, gostei da ideia, e nas reuniões pedagógicas, que sempre realizamos, decidimos que todos os finais de semana, um professor aqui estaria para acolher as crianças e adolescentes na escola. Compramos tintas, pincéis e deu no que a Senhora está vendo...O horror chegou e acabou com nosso sonho!

- O que é o horror? 

- A gangue do tráfico!


Patiluc