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Curtinhas:  v.1 n.2 (2021)

ISSN 2764-0280

É nóis!

Era uma vez um menino que soltava pipas como ninguém. Dona Sônia, mãe desse menino, já havia desistido de impedi-lo de empiná-las a partir das lajes da vila onde moravam, afinal, a rotina do café da manhã do Tonico era pipa; lanche da tarde: pipa; depois da janta? Pipa. Ele botava terror na meninada porque como diziam: o mano era os bicho. Pó de ferro ou de vidro, cola e o garoto tosava sem dó nem piedade. Fera que é fera, tem as manha, dizia ele, para a turma do pedaço. Mal sabia que toda aquela habilidade, nada mais era que técnica aliada a noção espacial e cálculo estequiométrico. 

- Estéquio, o quê? Colé cara? Fala português cum nóis!!!

Com 10 anos de idade, Tonico não sabia ler, escrevia com dificuldades o que copiava e na matemática, se limitava a juntar moedas para comprar a linha que usava para empinar as pipas que ele mesmo fazia. O mundo do Tonico se transformou quando na escola um professor chegou botando a banca de que ninguém conseguiria tosar as pipas que ele empinava.

E foi num dia, enquanto ele e seus colegas se organizavam no pátio da escola para participarem do ‘festival de pipas’, que o tal professor começou a contar uma história esquisita, mas que chamou a atenção. Era sobre um general Chinês, muito antigo, da dinastia Han, que usou a pipa para medir a distância entre seu exército e as paredes de um palácio. Com essa informação ele foi capaz de escavar um túnel e surpreendeu o inimigo sem ser notado. Venceu a batalha!

Olha! Bastou que Tonico captasse essa mensagem, para que ele passasse a se importar com a ciência das coisas! E não é que a pipa do Tonico foi tosada por aquele Professor? Tornaram-se amigos e o Tonico de hoje, dá aulas na Escola Técnica, que fica próxima à vila onde ele cresceu. Se ele ainda empina pipas? Claro que sim, mas faz o equilíbrio entre o método e a didática.

Patiluc