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Curtinhas:  v.2 n.1 (2021)

ISSN 2764-0280

 Prazo de validade!

Beatrice era uma mulher já com seus sessenta e poucos anos de idade. Como todo brasileiro que se preze, Beatrice ansiava se desvencilhar das amarras que a carteira de trabalho impunha: rotina de horários; cumprimento de metas; postura sempre condizente às diretrizes da empresa e, a tal submissão às ordens até dos colegas que se autointitulassem chefes. Num dia depois de tantos trabalhados numa multinacional, se aposentou. 

De lá para cá, o telefone celular de Beatrice, que há bem pouco, tocava incessantemente, passou a receber somente chamadas de familiares, além, é claro, da ex-sogra, eterna reclamante da atual nora. Aquelas pessoas que se diziam amigas escassearam de tal maneira, que ao visitar a antiga empresa, foi tratada com frieza até pelos colegas mais antigos. 

Num passe de mágica, Beatrice se cansou daquela famosa rotina do ‘Jaque’:  já que você não está fazendo nada... Decidida, organizou seu currículo e o encaminhou para a sua rede de contatos. Só parou de insistir ao receber de um daqueles tais ‘amigos’ a seguinte mensagem: - Deixe seu recado que responderei o mais rápido possível. Nunca será sinônimo de urgência?!!! Beatrice se questionava...

Chocada matriculou-se em diversos cursos online e até presenciais. Nessa toada, Beatrice descobriu que todas as habilidades um dia adquiridas, tinham curto prazo de validade. Antes tarde do que nunca, aprendeu que no país das oportunidades, o Brasil, os sobrenomes institucionais sobressaem aos de batismo na hora da contratação. 

Patiluc