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Curtinhas :  v.2 n.2 (2021)

ISSN 2764-0280

João do cadarço

Outro dia, ao pagar o metrô, João, um ambulante que vendia cadarço debaixo do viaduto, não teve R$0,20 para completar os dez bilhetes que semanalmente comprava.

- Não dá mais João. Toda semana é a mesma coisa? Sabia que eu tiro esses R$0,20 do meu bolso?! Já me chamaram a atenção. Sinto muito!

- Então eu compro nove. Mas, e na sexta-feira?

- Ué! O que acontece na sexta? Perguntou Maria, a atendente do CBTU que se colocava no lugar dos Joões que apareciam diariamente com a mesma desculpa e sacrificava o seu salário mensal, pensando que os ajudava de alguma forma.

- Como eu faço para trabalhar?

A fila crescia enquanto os dois estabeleciam esse diálogo. E olha que aquele era o terminal mais movimentado da cidade. Ali, parecia que o relógio marcava os minutos, como se fossem segundos. Até que Helena, a encarregada do dia, deu um basta naquele trololó.

- Algum problema Maria? Devolva o troco para o Senhor. E com uma voz estridente gritou: - Próximo!

Impossível negociar com aquele trovão, pensou João, que deu no pé! Na sexta??? Esperto, ele aproveitou a folga para completar os trocados com a venda das latinhas que recolhia por onde passava.

Patiluc