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Curtinhas  v.2 n.4 (2021)

ISSN 2764-0280

É gol! 

- Gooooooooooooooooooooool!!!

Berrava da arquibancada um torcedor que carregava no corpo, o manto sagrado do seu time. Era no radinho de pilha, seu companheiro inseparável, sempre colado no ouvido, que ele mantinha o compasso do seu coração marcado pelo toque de bola que rolava na grama, junto ao refrão do narrador, de certo outro torcedor, ao explodir de felicidade com a grande massa diante daquele empate.

- Tudo igual! O coração da gente não aguenta, é muita emoção. Você viu?! O cara é bom. Eu não sei como o Alemão (técnico do time) deixou ele no banco, o campeonato todo. Esse cara merece a seleção! O torcedor falava sozinho em voz alta como se buscasse ao redor alguém com quem pudesse estabelecer um diálogo curto, numa forma de extravasar a alegria de chegar ao final do campeonato de futebol. No campo é assim, estando do mesmo lado da torcida, todos são ‘parças’, ainda que ninguém se conheça.

- Olha lá!!! Juiz ladrão. Cartão vermelho de novo? Cadê o VAR? Para com isso Juiz... foi falta não! Vou nem olhar... já bateu?

-Trave!!! Veio daquela caixinha falante a resposta, como um elixir. A gorduchinha estremeceu a rede e saiu pela linha de fuuuuuundo!!! Traaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaave... foi na traaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaave! Vai terminar... vai terminar!!! Fimmmmmmmmmmmmmm do jogo! Estamos na final!!!! Na final!!!

O torcedor vai às lágrimas e a arquibancada...nossa Senhora... dá um show sem bola, e, como se fosse um coral de vozes conduzida pelo resultado, entoa o hino do clube ao que os jogadores compreendem e reverenciam a cortesia. Haja coração! É lindo demais!!!

 

Patiluc