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Curtinhas  vol.3 nº.3 (2021) 

ISSN 2764-0280 

Setembro amarelo

Ponto de ônibus lotado, nossa que dureza! Um calor de derreter e fazer o quê, depois de um dia de trabalho no comércio, tô louca para chegar em casa, tomar um banho, dar uma relaxada. Encosto num canto e, mesmo preocupada com a possibilidade de ser assaltada, não me contenho e bisbilhoto as mensagens que chegam ininterruptamente no meu celular. 

Entretenho-me naquela posição por alguns minutos. Tinha uma mensagem do Taquinho me chamando para dar um rolé. Até a Vivi me dizendo que passaria lá em casa para pegar uma blusa emprestada, porque ela ia para a balada. Imagina só, em plena segunda-feira. Aff !. E a Leire. Ela tava aborrecida com o boy que conheceu no pancadão. Ah! O cara é um gato, não sei porque ela tá reclamando (pensei)! De repente alguém grita: 

- O ônibus!  

Mais que depressa guardei o celular na bolsa e me posicionei quando uma senhorinha, ao atravessar a avenida, foi atropelada pelo buzú, justo o meu busão, pelo qual esperei por intermináveis 50 minutos.  

Tumulto instalado. O acidente fechou o trânsito e a galera toda queria saber o estado de saúde da vítima.  

- Liga para o SAMU! Alguém pediu. 

- Já liguei. Ouvi duas vozes repetindo a mesma coisa. 

- Nossa! Ela parece ter uns 90 anos de idade. Como é que os filhos deixam uma pessoa com essa idade sair de casa sozinha. É muito triste não é mesmo? Esses eram os comentários daqueles que assistiam a agonia daquela senhora. 

Eu ali, só pensando em chegar em casa. E o motorista? Coitado?! Pedia calma e paciência, suava que nem tampa de chaleira. Com uma caneta na mão e um pedacinho de papel, anotou os dados de três testemunhas que afiançariam sua inocência naquele evento. 

- A senhora quer uma água? Consegue levantar o braço? Quantos dedos eu tenho aqui? Qual é o seu nome? 

- Joana. 

- Você é médica? Fiz a pergunta àquela moça que se colocou ao lado da agora identificada Dona Joana. 

- Trabalho na área de saúde. Sou auxiliar de limpeza no Hospital Central.  

- Hum! Respondi. 

Depois de uns quarenta e cinco minutos, com a chegada dos socorristas, os mais próximos souberam que Dona Joana quebrou a perna e teve traumatismo craniano. Colete cervical, maca, pertences da vítima, sirene ligada, dispersão, tudo pronto! Próxima parada Pronto Socorro. 

Peguei novamente o celular na bolsa e mais mensagens! Outros 50 minutos de espera. Êta ônibus demorado! 

Patiluc