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Curtinhas vol.4 nº.1 (2021)
ISSN 2764-0280

Nem vem, que não tem!

Numa loja de aviamentos, bem no centro da cidade, Jair era o responsável por manter o estoque organizado. Ele já era um homem de mais de meia idade, aposentou-se há pouco e como a filha única engravidou, decidiu arrumar um bico para ajudar nas despesas da casa.


A Célia, esposa do Jair, já tinha avisado para a Lúcia que aquele rapaz não daria ‘carreira certa’, mas sabem como são as coisas, os jovens sempre têm razão, sendo assim...


Um ano daquele diz-que-me-diz. Trezentos e sessenta e cinco dias de paixão avassaladora. Lúcia chegou a perder o emprego. Ela trabalhava na fábrica de lâmpadas, ganhava um tanto para o sustento. Vivia bem. Viajava, ia às festas... churrascos, pagodes... É! A Lúcia já não era mais a mesma com aquele Safado, dizia a Dona Célia aos quatro cantos.


O Safado aparecia, desaparecia e usava o trabalho como desculpa. Lúcia, apaixonada, acreditava piamente naquela conversa para boi dormir. Seu Jair, que a tudo observava, um dia chamou o Safado para uma conversa séria:


- Minha filha é prá casar!


- Sei disso Seu Jair, mas sabe como são as coisas, muito trabalho. Tô juntando um dinheiro para construir um barraco e aí saímos daqui.


- Menino, eu sou um pai-avô, não quero ver minha filha malfalada por aí.


- Se preocupa não Seu Jair. Vou cuidar dela direitinho.


Alguns meses depois daquela conversa, Lúcia de barrigão, alguém bateu à porta com duas crianças a tiracolo.

 

- Sabia que o Glaidson é casado? Esses são os filhos que ele tem comigo.

 

No fundo da fossa, porém, sem a bossa de Maísa em "Meu mundo caiu", realmente foi um barraco de boca que aquele Safado construiu para a Lúcia.


Diante daquele tumulto, que virou até caso de polícia, Lúcia, envergonhada foi às lágrimas e, não teve jeito, mandou o Safado para a Tonga da mironga do kabuletê, e pelo visto, Seu Jair vai ficar por um longo tempo na loja de aviamentos.

Patiluc