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Curtinhas vol.4 nº.2 (2021)
ISSN 2764-0280


Outubro rosa.


Keylah é uma jovem de quase trinta anos de idade. Trabalha bastante como cabeleireira e só pensa em aproveitar a vida. Vez ou outra vai ao médico para conseguir a renovação do atestado de saúde, imperativo para frequentar o clube de regatas, onde desfila as marquinhas do biquini, feitas à dedo, com fita isolante. Na vila em que ela mora, todos a conhecem como a Rainha do Pedaço.


O calendário noturno da Keylah era o seguinte: às quartas-feiras, pagode na Estudantina; às quintas, samba no barracão da escola de samba; às sextas, sertanejo na Bigorna; aos sábados, churrasco com os amigos, porque ninguém é de ferro e aos domingos, o dia era para a Laje do Bronzeado. Além disso, ela tem quatro filhos, sendo que o Anthony e o Washington, de 6 e 4 anos de idade respectivamente, vivem com ela e a avô. Os outros dois, uma moça de 16 anos de idade e um rapaz de 18 anos de idade, saíram de casa para morarem com a família dos pais.


A Rainha do Pedaço se vangloria em não se embebedar, ainda que se encharcasse de qualquer bebida que lhe oferecesse. Êta menina assanhada, comentavam por onde quer que ela passasse, até que um dia, sentiu algo diferente debaixo do braço. Pensou que aquele incômodo se devia ao esforço por conta das tantas escovas que fazia nas clientes que iam ao salão de beleza. Com o tempo o inchaço passou a doer e se transformou num  caroço.


- Oh! Jerry!!! Gritou Keylah para o dono do salão de beleza que ela trabalhava. Eu não posso mais fazer escova progressiva em ninguém. Tô com uma pedra debaixo do braço de tanto trabalhar. Coopera comigo! 


- Minha queridíssima, faça o que achar melhor, mas as comissões serão reduzidas, porque vou colocar você só para lavar os cabelos das clientes. 


- Ah, Jerry, me poupe! Tô falando sério, olha aqui!

Ao se aproximar do caroço que já se avantajava pela axila de Keylah, Jerry comentou, bastante preocupado:

- Menina, que babado é esse? Vamos marcar um médico para você. A Jackie, aquela minha cliente, chiquérrima que eu atendo lá nos Jardins, é médica. Tenho certeza que ela vai arrumar um horário para nós. Tony (o caixa do salão), liga agora mesmo para o consultório da Dra. Jaqueline e marca um horário para a Keylah. Diz que eu vou acompanhá-la.


- Como assim? Perguntou Keylah.


- Ái ‘miga’! Isso tá com cara de coisa boa não!


Meses depois, Keylah se submetia a cirurgia para extração de um nódulo que já se alojava na cavidade do seio esquerdo. E diante do resultado da biopsia, a médica recomendou algumas sessões de quimioterapia. 


Patiluc